domingo, 1 de julho de 2012 0 comentários

Psicanálise V


O que é ser psicanalista?Maria Julieta S. Nóbrega


 

A psicanálise é o exercício da diferença no sentido de
permitir que o sujeito e o objeto possam ser elevados a
categoria da Coisa.



Quem vai em busca de análise não sabe o que está buscando; e o analista sabe o que é ser psicanalista? Lacan, no seu Seminário I, pergunta: "Qu’est-ce que nous faisons quand nous faisons de l’analyse?". Retomo esta questão para mim a cada nova sessão de paciente – como dar-se conta do que implica a posição do analista, posição que possibilita o levantamento do recalque, permitindo a emergência do sujeito do inconsciente, sujeito dividido, sujeito do desejo (S/)? Isto impõe uma direção do tratamento, pois não se trata de intuição mas de uma direção na dedução e na construção, no manejo da transferência, não havendo nenhuma garantia, a não ser no après-coup, da validade do ato analítico.
E quando o analista se perde de sua função; como se reencontrar? Que aspectos de sua clínica levariam a uma maior precisão teórica, que elementos teóricos o ajudariam a se reposicionar? Como sustentar a diferença e a destituição subjetiva, direção do percurso de sua própria análise?
Há uma condição que se impõe de princípio para o psicanalista em relação àquele que o procura: ele, analista, não está ali para responder incondicionalmente ao pedido de ajuda que lhe é feito. O ato de aceitar alguém em análise é uma resposta analítica, trabalhada pelo analista desde o início do primeiro contato. Em última instância, é a posição do analista que possibilita a emergência do inconsciente, sempre virtual. É nas entrevistas preliminares, ao início do trabalho analítico, que se opera a retificação subjetiva que possibilitará a transferência analítica e, só então, a abertura do campo da interpretação. Por exemplo: se alguém vem ao analista trazendo a demanda de encontrar a "mãe ideal", delegando ao analista esse lugar imaginário, cabe ao analista manejar essa transferência imaginária, de modo a que essa demanda se transforme em uma questão analítica, numa retificação subjetiva que o implique num processo de trabalho analítico, no qual possa se instaurar a cadeia significante com conseqüências. Todo trabalho, portanto, vai depender do desejo do analista tanto na função de sujeito suposto saber (Sss), como na função de objeto, na sustentação do vazio, para que aí se fale, para que aí aconteça a associação livre, fala que está em transferência e que faz com que se produza um determinado saber no analisante – o mito individual do neurótico – em suas formações do inconsciente e nas opacidades do "umbigo do sonho".
A aceitação de uma assimetria radical entre analista e analisando é o que implica alguém nesta posição de analista, uma assimetria que faz obstáculo à reciprocidade, da ordem do especular, necessária para a identificação, que se dá no campo do imaginário, com o outro especular, semelhante (outro com minúscula), na intersubjetividade. Cabe ao analista sustentar um lugar simbólico, que na teoria lacaniana é denominado Outro (outro com maiúscula), que permita que a "inflação" imaginária ceda lugar ao simbólico e ao mais além, da ordem do inominável, da ordem do real. Lacan diz no Seminário I: "Vocês podem assegurar-se, desde então, que a regulação do imaginário depende de qualquer coisa que está situada de maneira transcendente, como diria Hyppolite – o transcendente na ocasião não sendo nenhum outro que a ligação simbólica entre os seres humanos. O que é a relação simbólica? É, para pôr os pingos nos is, que socialmente nós nos definimos por intermédio da lei. É a troca de símbolos que situa os nossos eus, uns em relação aos outros. Em outros termos, é a relação simbólica que define a posição do sujeito como aquele que vê."
E o que fazer com a demanda do analisando, sabendo de antemão que a demanda é antes de mais nada isso a que não se deve responder? Paradoxo, pois é com a demanda que se começa uma análise, é preciso uma demanda de análise. E é essa demanda que vai se articular, renovar-se nos significantes da análise e constituir-se em cadeia significante; a direção do tratamento provocando uma vacilação da demanda, instaurando o desejo numa dialética que permita ultrapassar o impasse da demanda.
Lacan disse que Desidero é o cogito freudiano, e que a posição do analista é responder à ética freudiana do desejo, que está em contradição seja com os ideais da cultura (a assimetria entre analista e analisando não responde ao ideal democrático de igualdade e fraternidade), seja com os ideais da pessoa do analista. Freud, em vários momentos ao longo de sua obra, ataca os desvios que poderiam levar o analista a não responder a sua função de analista: colocar-se como educador, como ideal, como amo do desejo, como filantropo. Pois, se aquele que vem em busca de ajuda quer alcançar a felicidade e acredita que o analista tem o caminho, tem o bom julgamento entre o Bem o Mal, cabe ao analista saber que este julgamento não pode ser da ordem do bom senso e que a felicidade imaginária almejada não pode ser alcançada. Todos estes valores estão profundamente subvertidos pelo pensamento freudiano que não denega o que é da ordem da sexualidade e da morte.
Freud pôs-se contra a ética aristotélica, idealista, que põe como finalidade o Soberano Bem (o Outro não zela pelo bem comum, não faz parceria). Ficou do lado de Kant, que refere a ética à lei, a qual deve determinar o ato. Entretanto, Freud é pessimista quanto à eficácia da lei, pois não denega as forças pulsionais que habitam o Homem. O ser falante está definitivamente marcado em suas ações pela presença da pulsão que é parcial, polimorfa. Em O Mal Estar na Cultura, Freud fala da impossibilidade de se cumprir "a mais recente das ordens culturais do superego, o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo". Freud não se põe do lado ideal superegóico, situando-se na escuta do sintoma, desvio que o desejo toma, por efeito do recalque, para se realizar numa negação da castração.
O analisando chega à análise com seus nós sintomáticos, suas demandas, seus enunciados. Trata-se na sessão analítica de abrir, a partir daí, a questão do desejo, apontar para o sujeito da enunciação, construir o fantasma (a Outra Cena). No entanto, se desde a entrada em análise a demanda já está em função, trata-se de desde as primeiras pontuações abrir a dialética do desejo, abrir pela incógnita do desejo do Outro, o que se construirá como a cena fantasmática. E se é o complexo de castração que tem a função de instalação do recalque e a conseqüência da estruturação do sintoma, é para este rochedo que a análise freudiana se dirige e não há outro caminho para o analista que não seja o de aproximação ao desejo pelo levantamento do recalque. A ética que se impõe, a partir da clínica, é ditada pelo desejo que se desvela pela relação do sujeito com o significante através das formações do inconsciente – só se pode alcançar um sentido pela via do significante.
O desejo é a verdade do sujeito, verdade que não reside na obediência ao princípio do prazer e sim a um mais além do princípio do prazer, aonde está a causa, a Coisa inacessível, objeto desde sempre perdido. A teoria do sujeito dividido (S/), sujeito do inconsciente, mostra-nos justamente que somos destinados a nunca nos satisfazermos com um mundo calculado para nos fornecer prazeres. É o desejo do analista na direção do tratamento que realiza um campo onde o desejo surge pela imposição da castração na lei do incesto. E quando o desejo surge como a lei (que supõe a lei do incesto) põe as ideologias em questão e a psicanálise em seu trabalho com o desejo revela a distância que há entre a articulação do desejo no Homem e o que se passa quando o desejo toma o caminho de se realizar. Se o humanismo aponta para a harmonia, a psicanálise, para a desarmonia. O Homem em psicanálise não é tomado como centro do universo, como fim em si mesmo; pelo contrário, ele aparece como decomposto, como corpo despedaçado pelo jogo das pulsões, como movido por um mais além – um Outro fala nele. Na passagem da natureza para a cultura dá-se o aprisionamento na linguagem deixando o ser falante em um paradoxo: se por um lado a linguagem permite-lhe a criação, por outro lado veta qualquer saída de plenitude, de solução suprema.
Você agiu conforme o seu desejo? Lacan mostra no seminário da Ética que esta questão ética só pode se colocar na psicanálise – a ética freudiana consiste num julgamento sobre a ação, num retorno ao sentido da ação, sentido referido ao desejo. O campo do discurso analítico remete o sintoma a uma rede significante, à dimensão simbólica da metáfora e da metonímia, das formações do inconsciente – a questão fundamental do desejo só pode ser pensada pela determinação do significante. É a partir desta dimensão simbólica que se pode interpretar – interpreta-se o que está escrito, o que está no simbólico já interpretado. E é neste percurso interpretativo de aceder ao desejo, levado às últimas conseqüências, que se vai em direção ao campo central do desejo, do mais além, à ordem do gozo, chegando ao âmago da questão ética, tocando o real na construção da cena fantasmática. O real aparece quando se força a língua até seus limites. A ética da psicanálise se liga ao que está além do princípio do prazer, além do recalque – vai da questão do desejo, do desejo do Outro, à relação da falta, à localização do Homem em relação ao real; à descoberta de que o universo da falta não é mórbido mas constitutivo; à ficção do desejo – o fantasma, construído em análise. A ética está atravessada pelo real, sustentada em um universo de falta, tendo como bisturi a pulsão de morte.
É importante lembrar que há o S1 articulado ao S2 na cadeia significante e que há S1 não articulado à cadeia – a Coisa é da ordem do não representável. É o desejo do analista que mantém a sustentação do lugar vazio para que aí se fale. Nesta função de vazio a presença do analista trabalha o objeto a, para destituí-lo (objeto causa do desejo, não representável; posição só sujeito na cena fantasmática, posição esta de completamento do Outro, de tampão da falta do Outro). O objeto em psicanálise é desde sempre perdido. Da função de Sss para a função de pura presença faz-se a articulação entre o saber e o rochedo da castração. Introduzir o discurso do Outro é introduzir a possibilidade de articulação do sujeito e é o meio de localizar esta significação, que prende o sujeito à alienação no discurso do Outro. É na travessia desta posição que, em sua estática, responde à ética do desejo, ao mesmo tempo que é ponto de dessubjetivação; suporte do desejo, ao mesmo tempo que o ponto em que o gozo se desvela.
E o fim de análise? É a radicalidade da singularidade. A psicanálise é o exercício da diferença no sentido de permitir que sujeito e objeto possam ser tomados em sua não-representabilidade, elevados à categoria da Coisa. O fim da análise é um poder desejar na spaltung, sustentado na castração; poder operar mais a sublimação como destino da pulsão; poder passar de objeto do desejo do Outro a sujeito do desejo na travessia do fantasma, pela destituição do objeto a.
 
  
Maria Julieta S. Nóbrega
Psicanalista
Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

 
sábado, 30 de junho de 2012 0 comentários

Pensamento do Dia 38 #

“... A folha se descobriu a perder a cor, a ficar cada vez mais frágil. Havia sempre frio e a neve pesava sobre ela. 
E quando amanheceu veio o vento que arrancou a folha de seu galho. Não doeu. Ela sentiu que flutuava no ar, muito serena. 
E, enquanto caía, ela viu a árvore inteira pela primeira vez. 
Como era forte e firme! Teve certeza de que a árvore viveria por muito tempo, compreendeu que fora parte de sua vida. E isso deixou-a orgulhosa.
A folha pousou num monte de neve. Estava macio, até mesmo aconchegante. Naquela nova posição, a folha estava mais confortável do que jamais se sentira. Ela fechou os olhos e adormeceu. Não sabia que a folha que fora, seca e aparentemente inútil, se ajuntaria com água e serviria para tornar a árvore mais forte. E, principalmente, não sabia que ali, na árvore e no solo, já havia planos para novas folhas na primavera."


Leo Buscaglia
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Psicossomática V


Toda a teorização do ipso (Instituto de Psicossomática de Paris) deixa bastante clara a ligação da psicossomática com a metapsicologia freudiana. Os analistas que trabalham com esses pacientes não estão em busca de uma causalidade relativa às doenças deles; preocupam-se com o funcionamento mental do paciente, levando em conta a economia psicossomática tal qual ela nos é apresentada pelos colegas que teorizam essa corrente de pensamento.
Entre os vários textos que li para escrever este artigo, um trabalho de Jean-Claude Rolland, psicanalista francês que tem um pensamento bastante original, me chamou particularmente a atenção. Extraí então uma passagem desse texto, que foi apresentado em 2007, em Barcelona, durante a 20ª Conferência da Federação Européia de Psicanálise, cujo tema central foi este: “Tempo, Fora do Tempo”. A passagem tem a ver com o pré-consciente e sua espessura, tão importantes na teoria psicossomática elaborada por Pierre Marty. Eis o trecho escolhido:
Faço justiça a Freud pelo seu esforço obstinado desde O esboço até Para além do princípio do prazer, no sentido de fundar uma teoria da memória que leva em conta a sua dupla submissão: ao real, do qual ela é o traço, e ao inconsciente, do qual é o contra-investimento. Assim, com­preen­demos melhor que a posição ocupada pelos componentes da memória no espaço do pré-consciente obedece mais à ordem do pulsional do que à ordem do temporal. O traço mnésico que se situa o mais longe do eu ou o mais profundamente dentro dele e o mais próximo da fronteira que o separa do inconsciente, esse traço não será o mais precoce nem o mais traumático, mas, sim, aquele que se revelará o mais apto a assegurar ao fantasma inconsciente uma representação substitutiva que possa prosseguir e proceder ao seu recalcamento.
Pensando nas estruturas que encontramos atualmente na nossa clínica habitual, acho que falamos menos de uma “explicação” da estrutura do fantasma e da pulsão do que dos efeitos desorganizadores de um excesso de pulsão: clivagens, somatizações que se deixam descobrir nas transferências por retorno ou, ainda, nas chamadas reações terapêuticas negativas. Nesses pacientes a negatividade está em ação. Devemos tentar colocar a negatividade deles a favor do processo de subjetivação, fazendo um trabalho concernente às clivagens. Defendemos então o seguinte paradoxo: o déficit existe, é o olhar que lançamos sobre ele que vai fazê-lo ser o que ele é ou, ao contrário, abrir-se em direção a uma potencialidade significativa.
O inconsciente, pela sua negatividade, ativa de um ponto donde não esperávamos o trabalho da memória. Como se nos lembrássemos para reencontrar aquilo que éramos e, igualmente, para encontrar aquilo que ainda não somos.
Investigando a aurora da vida psíquica, o relator J. Press diz que parece existir uma ressonância entre os trabalhos de Winnicott (O medo do desmoronamento) e aqueles de M. Fain.
Fain se situa numa perspectiva freudiana clássica, segundo a qual a atividade fantasmática nasce da negatividade, da ausência do objeto. Winnicott, ao contrário, assim como Ferenczi, opta por uma visão que se destaca daquela de M. Fain. Dito de outra maneira, a introjeção ferencziana, assim como o holding winnicottiano, acontecem na presença do objeto e levam em conta a qualidade de sua presença e seus efeitos sobre a criança. M. Fain sublinha os mecanismos de defesa precoces dos quais a criança lança mão, enquanto as descrições ferenczianas e winnicottianas colocam em evidência o estado de sofrimento traumático subjacente.
Segundo os colegas Marilia Aisenstein e Robert Asséo, psicanalistas psicossomáticos, é preciso, contudo, pensar em nuances do “medo de desmoronamento”, assim como da perda da representação nos pacientes psicossomáticos. Para ambos os autores, seria mais uma medida defensiva drástica, talvez mesmo um “esvaziamento drástico”.
O que nos parece bastante claro é que, com os pacientes psicossomáticos, a “construção” é particularmente solicitada na contratransferência. Inúmeras vezes eles têm necessidade de que seja feito um trabalho preliminar, no sentido de criar condições que lhes permitirão restabelecer alguns vínculos, com a esperança de que um trabalho analítico possa acontecer posteriormente.
A grande questão é tentar trabalhar a contratransferência com esse tipo de pacientes, refinando as intervenções do analista. Parece-me que um dos modos de fazer esse trabalho é através da percepção do processo psíquico em curso de ativação transferencial inconsciente, utilizado como revelador de certos aspectos não manifestos da própria transferência.
Ainda no relatório de J. Press, ele nos mostra também a importância da implicação contratransferencial do analista. Pensar seu interlocutor num movimento de fuga em relação a um núcleo impensável fuga que pode apenas se reproduzir no jogo transferencial-contratransferencial modifica os dados, altera o olhar que lançamos sobre ele e nos permite escutar a dimensão trágica daquilo que, sob um silêncio aparente, sob “a aparente desorganização”, para falar como Pierre Marty, acontece conosco na relação com esses pacientes.
Sabemos que toda inscrição psíquica comporta dois elementos: um de figurabilidade e outro puramente econômico, de repetição dessa passagem de fluxo.
Segundo André Green, a construção com esses pacientes psicossomáticos, construção dita “silenciosa”, tem como principal objetivo preencher as lacunas de um tecido psíquico com uma palavra que surge a posteriori para reconstruí-lo; a partir daí, revelam-se no analisando traços ou cicatrizes de suas primeiras experiências.
A “boa construção” é aquela que permite restabelecer as ligações, aquela que nos permite procurar ou conectar entre elas diferentes planos da vida psíquica, que traz à superfície psíquica sensações ou afetos em busca de sentido, aquela que finalmente é geradora de um trabalho de simbolização feito pelo próprio sujeito, não necessariamente aquela que é apenas confirmada pelo analisando.
Por outro lado, em seu relatório, Michele Bertrand nos diz que atualmente o termo “construção” é quase sempre usado no plural: construção pontual no curso de uma análise, construção de um espaço analítico, construções narrativas, co-construção de um setting analítico etc. Segundo a autora, todas essas construções são pertinentes a um trabalho psicanalítico.
A distinção entre conflito e impasse feita por J. Press em seu relatório nos ajuda a pensar que o equilíbrio psicossomático tem a ver com a especificidade de cada paciente. Segundo Press, o paciente entraria em ressonância com os mecanismos precoces de perda de suas capacidades representativas. É essa constelação, específica a cada um, que despertará o medo de desmoronamento existente em todos nós. Dessa maneira, temos de fazer uma reflexão sobre se os impasses podem ou não se manifestar pela depressão essencial e pela vida operatória. Isso nos obriga a pensar na nossa prática clínica, não nos deixando aprisionar em formulações teóricas, e como conseqüência exige que façamos um trabalho artesanal com cada paciente.
J. Press nos mostra, no desenvolvimento de seu relatório, que devemos viver, no jogo transfererencial-contratransferencial com nossos pacientes, as “tramas” das suas escolhas de vida.
A título de conclusão, farei uma citação de Jean-Claude Rolland: “O alvo da cura não é reduzi-la ao tempo real comum, mas, sim, propiciar aquilo que é necessário ao tratamento do inconsciente e de seus rejetons [brotos] patogênicos, o que, aliás, acontece sempre com dor e nostalgia”. Segundo Rolland, gostamos de viver infinitamente aquilo que vivemos passageiramente. Isso seria o último resort do nosso incurável desejo de eternidade.


Artigo retirado da:



Revista Brasileira de Psicanálise

sexta-feira, 29 de junho de 2012 0 comentários

Pensamento do Dia 37 #

Por favor, não me analise 
Não fique procurando 
cada ponto fraco meu 
Se ninguém resiste a uma análise 
profunda, quanto mais eu! 
Ciumenta, exigente, insegura, carente 
toda cheia de marcas que a vida deixou:
Veja em cada exigência 
um grito de carência, 
um pedido de amor! 

Amor, amor é síntese, 
uma integração de dados: 
não há que tirar nem pôr. 
Não me corte em fatias, 
(ninguém abraça um pedaço), 
me envolva todo em seus braços 
E eu serei perfeita, amor! 

Do livro "Bom dia amor!", 1990


Mirthes Mathias
sábado, 23 de junho de 2012 0 comentários

Freud - História Da Psicanálise


quinta-feira, 21 de junho de 2012 0 comentários

Uma Pequena Homenagem Ao Mestre


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Psicossomática IV



A Linguagem do Corpo No Adoecer






Para uma melhor compreensão de Psicossomática, citamos Luiz Miller de Paiva, em seu livro Medicina Psicossomática, onde define: “Doença psicossomática é uma manifestação expressa predominantemente pelo sistema vegetativo (simpático e parassimpático) ou pelos hormônios (...). A doença psicossomática não é somente o intento de expressão de uma emoção e sim uma resposta fisiológica das vísceras a constantes estados emocionais”. 

Dessa forma, temos que psicossomática “é o estudo pormenorizado da correlação íntima entre psiquismo e as manifestações orgânicas ou funcionais, incluindo reações individuais a certas doenças assim como as implicações pessoais e a sua conduta social motivadas pela doença.” (mesmo autor)

Os somaticistas são levados a considerar, de maneira cada vez mais explícita, o fato de que um corpo, sadio ou doente, é sempre um corpo de relação com o meio, envolvido por emoções, animado por movimentos afetivos, e que os psiquiatras, psicólogos ou psicanalistas, tendem a ver, ao funcionamento somático e nos seus desequilíbrios, um dado constantemente intrincado com a vida psíquica e indissociável da noção de equilíbrio psíquico do indivíduo. Sugerem a importância em buscar na biografia de um paciente e no conhecimento de sua organização psíquica, o apoio para alcançar uma compreensão mais global de sua doença.

Assim, a psicossomática visa estender a compreensão dos fatores de morbidade à esfera psíquica. Não se limita a oferecer ao profissional de saúde, armas suplementares para tratar o corpo ou preservar a sua integridade. É muito mais que isso: a psicossomática valoriza o papel das forças mentais na conservação ou perda do bem-estar de um indivíduo, aumentando assim, o domínio que o homem pode subtrair, por sua própria vontade e livre arbítrio, ao determinismo das leis da matéria; ela desmantela a tendência à repetição, impede a submissão ao incurável, enfraquece o poder da morte. 

Para Adolpho Menezes de Melo, psiquiatra, psicanalista, é impossível pensar na promoção da saúde em uma abordagem não psicossomática; se assim ao fizermos, estaríamos estudando um ser inexistente: o ser humano sem psique, sem alma.

Admite a Psicossomática como uma filosofia de trabalho, um plano de vida, uma postura, um posicionamento do profissional diante do seu paciente e mais que isso, diante de pessoas que não sejam seus pacientes. Vê a Psicossomática como uma filosofia de vida

Compreender os fenômenos psicossomáticos para ele implica necessariamente em que reconheçamos o nosso lugar no universo; que percebamos o que sabemos e o que não sabemos tendo a consciência que quanto mais sabemos, menos sabemos. Essa percepção do que eu sei e do que eu não sei, implica em uma postura de humildade.

Aponta que somente na relação com o paciente, quando aceitamos as suas qualidades e as suas dificuldades, é que podemos percebê-lo como uma pessoa em experiência na vida e respeitá-lo nas suas atuais condições. É dessa forma que poderemos dar o primeiro passo para tentar ajudá-lo.

Na próxima semana, estaremos continuando a nossa reflexão sobre Psicossomática - A Linguagem do Corpo no Adoecer e suas implicações com a Psicologia Hospitalar e da Saúde.

“Toda pessoa carente de saúde é, antes de tudo,uma PESSOA, mesmo quando as suas condições físicas e psíquicas o pareçam negar...”

(Mezomo – I Congresso Brasileiro de Humanização do 
Hospital e da Saúde. SP, 1980)


Alaide Degani de Cantone

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.
 
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